INTRODUÇÃO
Em plena a era digital, ainda se encontram pessoas que não estão familiarizadas com
a tecnologia que é o computador. Este equipamento está presente no dia-a-dia de quase todas
as pessoas, seja na forma de um caixa eletrônico de banco, ou até mesmo em um automóvel.
E no processo de ensino aprendizagem, o computador por oferecer diversos
benefícios para uma melhor aprendizagem. Entretanto, ainda são muitos os estudantes que
não tem acesso a essa tecnologia, principalmente os de baixa renda. Seria então, interessante
que as escolas oferecessem aos estudantes essa tecnologia em prol do melhor aprendizado,
mas essa também é uma realidade distante de muitos centros de ensino.
Ao introduzir um computador em uma escola, não se pode ter a crença de que,
através do uso do equipamento, o aluno aprenderá mais e se desenvolverá de uma maneira
mais abrangente (Dallacosta et al.,1998), pois segundo Ponte (1992) e Pacha ne (2003), é a
maneira com a qual o professor utiliza o computador que trará contribuições positivas para o
processo de ensino-aprendizagem. Ao utilizar o computador, em sala de aula, o professor
tem que ter cuidado para não transformar o equipamento em mais um objeto de auxílio, com
por exemplo, transcrever a aula do quadro negro para a tela de apresentação do Microsoft
Power point®.XIV Encontro Nacional de Ensino de Química (XIV ENEQ)
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Tecnologia da Informação e Comunicação
(TIC)
Acredita-se que ao utilizar a informática em sala de aula, o professor deve prepararse, elaborando estratégias de ensino que atraiam os estudantes para o conteúdo a ser
lecionado, para que possa haver contribuições na construção do conhecimento. E que a
utilização de softwares ou programas multimídias não seja apenas a visualização seqüencial
de textos, figuras ou vídeos, ma s que tenha participação ativa do estudante. Ou seja, é
necessário que softwares ou programas multimídias ofereçam estratégias de interação com os
usuários, por exemplo, fazendo com que eles pensem e proponham soluções para algum
problema verificado.
Uma observação importante é que não é o software que faz a diferença em termos de
resultados cognitivos, mas sim, a forma como ele é utilizado no processo de ensinoaprendizagem pelo professor (Guerra, 2000). Além disso, é importante se atentar para qual
conteúdo ele será aplicado, pois há grande possibilidade de melhoras no ensino, ao utilizar os
recursos da informática para lecionar conteúdos abstratos e de difícil aprendizagem pelos
estudantes, tais como isomeria e periodicidade das propriedades químicas.
Ao lecionar periodicidade das propriedades químicas, um software pode ser de
grande utilidade para apresentar e facilitar a consulta, manipulação e correlação entre dados
essenciais para o estudo da regularidade das propriedades periódicas dos elementos. E o
software QuipTabela pode ser uma boa alternativa para essa atividade, pois ele é um software
atualizado, em português e gratuito.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Este trabalho foi estruturado da seguinte maneira: (i) análise de dois livros didáticos
amplamente utilizados nas escolas de Ensino Médio do país (livro 1: Fundamentos da
Química, Vol. Único, de Ricardo Feltre e livro 2: Química, Vol. Único, de Tito e Canto); (ii)
análise do software QuipTabela e (iii) sugestões de atividades empregando o software
analisado.
(i) análise de livros didáticos
A análise do conteúdo tabela periódica nos livros didáticos, mostrou que os livros
abordam o conteúdo de maneira tradicional, mantendo distância do cotidiano dos estudantes. XIV Encontro Nacional de Ensino de Química (XIV ENEQ)
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Tecnologia da Informação e Comunicação
(TIC)
No livro 2, encontram-se algumas aplicações dos elementos químicos, tentando mostrar
proximidade dos elementos químicos no dia-a-dia dos aprendizes.
O livro 1 estrutura o conteúdo tabela periódica, apresentando alguns fatos históricos,
como a proposta de ordenação dos elementos químicos realizada por Dmitri I. Mendeleyev,
em 1869. Além disso, são citadas algumas “previsões” realizadas pelo cientista, quando supôs
a existências de alguns elementos que só viriam a ser descobertos, anos após. E finalizando a
seção histórica, o autor menciona o trabalho realizado por Henry G.J. Moseley, em 1913, na
classificação atual dos elementos químicos, classificados de acordo com a variação das
propriedades em função do número atômico, e não mais da massa atômica, como Mendeleyev
propunha.
O autor descreve o que são os períodos e grupos da tabela periódica e suas
dependências com a configuração eletrônica de cada elemento químico. Após essa seqüência
de conteúdos, há a sugestão de vários exercícios de fixação. Na seqüência, a periodicidade
das propriedades dos elementos químicos é discutida, mostrando como o raio atômico e o
volume atômico variam ao longo do crescimento do número atômico. Para tal, gráficos são
utilizados, com o objetivo de melhor visualizar a dependência periódica da propriedade com o
número atômico. Para essas duas propriedades e para várias outras (densidade, temperatura de
fusão e ebulição e afinidade eletrônica) são utilizados esquemas com desenhos de setas
indicativas, que mostram de onde e para onde a propriedade em questão, varia (Figura 1).
Figura 1. Representação esquemática, de alguns livros didáticos, de como a afinidade eletrônica varia na
tabela periódica.
Acredita-se que a utilização destes esquemas (Figura 1), levam os estudantes à
decorarem a direção da seta e relacionar com a propriedade periódica ou não periódica. E esse
é um resultado pouco desejado no processo de ensino-aprendizagem, pois o estudante pode
não compreender o que leva a formação do esquema, mas sim, decorá-lo.XIV Encontro Nacional de Ensino de Química (XIV ENEQ)
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Tecnologia da Informação e Comunicação
(TIC)
Ao utilizar gráficos e tabelas, o ensino de periodicidade das propriedades pode ser
grandemente beneficiado, pois o estudante poderá a nalisar criticamente o resultado e não
apenas, aceitá- lo em forma de esquemas.
Analisando o livro 2, pode-se perceber que os autores abordam, logo de início, a
classificação dos elementos, de acordo com períodos e grupos, associando com a
configuração eletrônica de cada um dos elementos químicos. Na seqüência, são abordadas
algumas aplicações dos elementos químicos no cotidiano dos estudantes, seguidas de alguns
exercícios de fixação. Após os exercícios, é abordada a periodicidade das propriedades dos
elementos, mostrando gráficos de raios atômicos e eletronegatividade em função do número
atômico. Nesta seção do livro, percebe-se que o conteúdo também é abordado na forma de
esquemas, tal como ocorre no livro 1. Entretanto, neste material é possível encontrar textos
em destaque, que descrevem os esquemas, o que reforça a idéia de decorar como é a variação
das propriedades, sem a necessidade de entender o porquê desta variação.
Utilizando a metodologia descrita nos dois livros didáticos analisados, pode-se
perceber que os autores procuram transmitir algumas informações, mas não tem a
preocupação em desenvolver o conhecimento sobre o assunto periodicidade das propriedades
dos elementos químicos. Dessa forma, acredita-se que o conhecimento não será transmitido
de maneira expressiva, o que pode provocar uma falta de interesse dos estudantes pelo
conteúdo.
Para tentar minimizar essa deficiência no ensino de tabela periódica, propõe-se a
utilização do software QuipTabela, que pode auxiliar na abordagem do ensino de
periodicidade das propriedades dos elementos.
(ii) análise do software QuipTabela
O software QuipTabela (Figura 2) está na versão 4.0 e apresenta em sua tela inicial,
uma tabela periódica, a partir da qual pode-se acessar mais de 30 informações sobre cada um
dos elementos químicos. E é a partir dessa tela que também se acessa as out ras
funcionalidades do software, tais como criação de tabelas e gráficos a partir de dezenas de
propriedades dos elementos químicos.
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